Com o desenvolvimento da ciência surgiu a necessidade de medir características subjetivas dos indivíduos, como algum padrão de comportamento ou habilidade e com essa necessidade surgiu um grande questionamento: como medir algo que é inerente ao sujeito?

Instrumentos de mensuração

A solução encontrada foi a criação dos instrumentos de mensuração, que podem ser definidos como testes que propõe verificar e quantificar alguma característica do indivíduo que não pode ser observada diretamente. A Validação de Instrumentos é uma área de estudo da Psicometria, que une a estatística e a psicologia.

Na área da saúde, por exemplo, a utilização de instrumentos confiáveis é de suma importância na verificação da necessidade de intervenção em algum processo ou método. É possível medir o nível de conhecimento acerca de alguma doença ou mesmo um perfil de comportamento de profissionais e/ou pacientes e, a partir dos resultados, planejar possíveis estratégias de intervenção.

Em um estudo iniciado nos Estados Unidos na década de 30, desconfiava-se que as atitudes dos profissionais da saúde influenciavam a eficiência do tratamento de pacientes diagnosticados com diabetes. Com isso foi criado o Diabetes Attitude Scale, como uma proposta de quantificar e classificar os padrões de comportamento dos profissionais acerca dos pacientes. Depois de elaborado, aplicado e validado, o instrumento possibilitou a confirmação da hipótese dos pesquisadores, que decidiram por intervir e instruir melhor os profissionais sobre o tratamento dos pacientes.

Além da saúde, o setor administrativo/empresarial está sempre atento às características de seus funcionários e clientes. Medir o nível de liderança dos indivíduos ou o nível de satisfação no trabalho, por exemplo, são informações que podem gerar uma melhor cultura organizacional e, inclusive, aumentar a margem de lucro da empresa.

Mas, como se garante que um questionário é capaz de medir uma característica dos indivíduos? Esta é exatamente a importância da validação dos instrumentos de pesquisa!

Validação Cultural, Semântica e Estatística

É importante garantir duas características dos instrumentos de medida: a validade e a confiabilidade. Garantir a validade do instrumento significa provar estatisticamente que o questionário realmente mede aquilo que propõe e a confiabilidade pode ser definida como a reprodutibilidade da medida.

É importante ressaltar também a importância da Validação Cultural e Semântica de um instrumento. Por exemplo, se um questionário americano é traduzido para ser aplicado no Brasil, o mesmo deve ser culturalmente adaptado, uma vez que os costumes e hábitos são divergentes entres os países. Além disso, os itens (perguntas) devem ser de fácil entendimento e as alternativas de resposta precisam ser claramente definidas. Em muitos casos, existe uma pré-aplicação do instrumento com intuito de quantificar a clareza das perguntas. Essa fase é importante na prevenção de resultados insatisfatórios.

Constructos e Itens

Escala de Likert
Escala Likert

Um instrumento é divido em duas partes principais: os itens formam os constructos e os constructos formam o instrumento. A divisão em constructos é importante quando é de interesse medir mais de uma característica em um mesmo instrumento. Por exemplo, em estudos que medem Liderança é comum a divisão do instrumento em Liderança Transformacional e Liderança Transacional.

Os tipos mais comuns de itens são os de certo/errado ou os dispostos em escala likert de concordância ou frequência, por exemplo. Geralmente os constructos são pré-definidos pelo pesquisador, uma vez que estão relacionados ao que se deseja medir. Entretanto, é possível identificar os constructos através dos itens a partir de um conjunto amostral, utilizando a Análise Fatorial.

A validação estatística de instrumentos

Teoria Clássica dos Testes

Existem duas vertentes principais na validação estatística de instrumentos: a Teoria Clássica de Testes (TCT) e a Teoria de Resposta ao Item (TRI).

A TCT é formada por uma junção de técnicas estatísticas multivariadas e indicadores de confiança. A análise fatorial exploratória, por exemplo, é usada para quantificar a relevância de cada item individualmente. Uma das suposições da validação é que cada constructo deve medir uma única característica e a análise fatorial combinada com alguns critérios de seleção, é responsável por garantir a dimensionalidade de cada constructo. Alguns dos critérios de dimensionalidade mais utilizados são: o critério de Kaiser e o critério de Retas Paralelas.

Coeficientes de confiabilidade

análise de confiabilidade

O Alfa de Cronbach (α) é uma medida muito utilizada de confiabilidade. Em essência, o Alfa de Cronbach quantifica a consistência interna dos itens que formam um construto, isto é, se os itens estão “na mesma direção”. O Alfa de Cronbach é uma medida que varia de 0 a 1, onde valores mais altos indicam maior consistência interna do constructo. Segundo a literatura, valores de α maiores que 0,70 indicam a confiabilidade do constructo. Uma alternativa ao Alfa de Cronbach é o coeficiente de Confiabilidade Composta (também conhecido como Rho de Dillon Goldstein).

O AVE (Average variance extracted) também é amplamente utilizado e importante na validação de instrumentos. O AVE representa a proporção média de variância dos itens que é explicada pelo constructo e ele garante a Validação Convergente, que assegura que um determinado conjunto de itens de um constructo converge para um mesmo conceito.

Criação de indicadores

Depois de assegurar a validade dos constructos e do instrumento é possível criar indicadores sobre a característica medida e comparar os indivíduos através das variáveis de caracterização. Existem muitas técnicas de criação de indicadores, sendo que uma das mais utilizadas consiste no uso dos pesos estimados na Análise Fatorial Exploratória. Por exemplo, nos instrumentos que medem Liderança, é possível investigar quais cargos apresentam maior indicador de Liderança Transformacional, se existe relação entre o a Liderança Transacional e a idade dos indivíduos, etc.

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Artigo desenvolvido com a colaboração de Leonardo Gonçalves.

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